Morreu nesta quinta-feira (04) João Leiva Campos Filho, o eterno Leivinha, um dos maiores ídolos da história da Sociedade Esportiva Palmeiras. Símbolo da Segunda Academia e protagonista de uma das épocas mais vitoriosas do clube, o ex-meia-atacante deixa um legado construído com talento, inteligência e títulos.
Leivinha marcou época vestindo a camisa alviverde durante a primeira metade da década de 1970. Com movimentação intensa, técnica refinada e excelente capacidade de finalização, tornou-se um dos principais jogadores do futebol brasileiro. Até hoje, figura entre os 15 maiores artilheiros da história do Palmeiras e entre os cinco atletas que mais marcaram gols pelo clube em edições do Campeonato Brasileiro.
Das origens no interior ao destaque nacional
Nascido em Novo Horizonte, no interior de São Paulo, em 11 de setembro de 1949, Leivinha iniciou sua trajetória no futebol aos 15 anos de idade. O talento apareceu cedo e rapidamente chamou a atenção de clubes maiores.
A primeira oportunidade profissional surgiu no Linense. Pouco tempo depois, em 1966, ele chegou à Portuguesa. No Canindé, aproveitou uma chance inesperada durante um treinamento da equipe principal e não demorou para conquistar espaço.
As boas atuações pela Lusa despertaram o interesse do Palmeiras, que concretizou sua contratação em 1971. A mudança representou um divisor de águas em sua carreira e abriu caminho para os anos mais vitoriosos de sua trajetória.
O brilho na Segunda Academia
Leivinha estreou pelo Palmeiras em março de 1971 e já deixou sua marca ao balançar as redes na vitória por 4 a 0 sobre o Guarani, em Campinas. A partir daquele momento, tornou-se peça fundamental da equipe comandada por Oswaldo Brandão.
Ao lado de nomes históricos como Ademir da Guia, Dudu, Luís Pereira e César Maluco, ajudou a construir uma das formações mais admiradas do futebol brasileiro. Sua inteligência tática, capacidade de criação e presença ofensiva fizeram dele um dos pilares da Segunda Academia.
Durante sua passagem pelo Verdão, conquistou dois Campeonatos Brasileiros, dois Campeonatos Paulistas e diversos torneios nacionais e internacionais. Em momentos decisivos, assumiu protagonismo e manteve o alto nível da equipe, inclusive quando César Maluco ficou afastado por suspensão.
Um lance que entrou para a história
Entre os episódios mais marcantes de sua carreira está a polêmica decisão do Campeonato Paulista de 1971. Na partida contra o São Paulo, Leivinha marcou um gol legítimo de cabeça, mas o árbitro Armando Marques anulou o lance ao interpretar equivocadamente que o jogador havia utilizado a mão.
O episódio tornou-se um dos erros de arbitragem mais lembrados da história do futebol brasileiro e segue presente na memória da torcida palmeirense até os dias atuais.
Seleção Brasileira e sucesso na Europa
As grandes atuações com a camisa do Palmeiras também abriram espaço na Seleção Brasileira. Leivinha participou de diversas convocações e integrou o elenco que disputou a Copa do Mundo de 1974, na Alemanha Ocidental.
Em 1975, após conquistar o Torneio Ramón de Carranza, na Espanha, foi negociado com o Atlético de Madrid ao lado do zagueiro Luís Pereira. A dupla iniciou uma trajetória de sucesso no futebol europeu e reforçou o reconhecimento internacional conquistado durante os anos no Palmeiras.
Um legado eterno
Problemas físicos levaram Leivinha a encerrar precocemente a carreira aos 29 anos de idade. Mesmo com uma trajetória mais curta do que muitos imaginavam, o ex-camisa 8 construiu uma história inesquecível.
Ao todo, disputou 267 partidas pelo Palmeiras, conquistou 158 vitórias, empatou 80 vezes e sofreu apenas 29 derrotas. Além disso, marcou 108 gols e eternizou seu nome entre os maiores jogadores que já defenderam o clube.
A morte de Leivinha encerra a trajetória de um dos grandes craques do futebol brasileiro, mas seu legado permanecerá vivo na memória dos palmeirenses. As conquistas, os gols e o futebol brilhante seguem como parte fundamental da história da Sociedade Esportiva Palmeiras.
